| A Aldeia Réfega |
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| Escrito por Hermínio Bernardo | |
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RÉFEGA (ENTRE O PASSADO E O PRESENTE) RÉFEGA é uma aldeia típica do nordeste transmontano situada, geograficamente, numa zona de transição entre a chamada Lombada e a antiga Terra de Miranda. É, por sua vez, uma terra de fronteira e, como tal, são seculares as múltiplas vivências com terras vizinhas espanholas, nomeadamente com Nuez de Aliste, Trabazos ou Alcañices, na região de Aliste, com fronteira marcada pelo rio Maçãs. Dista de Bragança, que é sede do Concelho, cerca de 20 quilómetros.
Freguesia de Quintanilha A povoação de Réfega inscreve-se entre os termos de Palácios, de S. Julião, Milhão, Veigas e Quintanilha (cabeça de freguesia), pertencendo, pois, ao concelho e distrito de Bragança. Aninha-se ao fundo de um amplo, fresco e viçoso vale, que o ribeiro do Escuredo (melhor dito, ribeira de Caravela, onde nasce), as nascentes de Mousinhos e o pequeno arroio de Vale de Breia fertilizam. Cresceu secularmente, assim, entre montes de copioso arvoredo, entre os quais ganhou forma de vida e sustento uma extensa e fértil faceira, onde todo o tipo de cereal se pode desenvolver (sobretudo o trigo e o centeio), oferecendo, também, condições favoráveis para a exploração da vinha, do castanheiro, da oliveira, e, outras árvores de fruto. A pastorícia foi igualmente, até há bem pouco tempo, actividade complementar neste singular mundo rural. Nasceu, assim, esta povoação, mimada por água, árvores, flores e frutos; por montes, chãs e vales, por onde discorrem mil segredos do mundo e da vida. E por sonhos e obra de gente com alma e fibra, com infinito apego à terra, a esta Réfega, aldeia formosa. SOBRE O NOME DE RÉFEGA. A toponímia procura encontrar uma explicação para o nome próprio dos lugares e torna-se, assim, muito importante para conhecer a origem do topónimo das nossas terras. Sabemos, então, por exemplo, que uma povoação como Babe teve origem num muito antigo povoador chamado Babi, que Angueira teve origem no rio do mesmo nome, que a banha, ou, que S. Julião recebeu nome de um Santo. Um interessante documento de 1192, do reinado de D. Sancho I, citado por Miguel Fernández de Prada (1998), faz não só referências curiosas sobre S. Julião, que fica «em Monte de Carvalhais», mas também a Palácios, a Villamediana (Vila Meã) e a Babi (Babe), donde se infere que eram já, nessa altura, povoações devidamente organizadas, e, portanto, muito anteriores àquela data. Não é fácil, nem tem sido fácil aos estudiosos encontrar uma explicação para a origem do nome Réfega. É um nome que tem tanto de antigo, como de raro; que eu saiba, aliás, há bem mais pessoas com apelido e alcunha de Réfega do que lugares. Destes, do meu conhecimento, só há três em Portugal: esta nossa aldeia de Réfega, do concelho de Bragança; outra povoação, agora extinta, da freguesia de Miranda do Douro, pequeno lugarejo em ruínas, que dá por nome, agora, de quinta de Réfega, actualmente desabitada. E, ainda, um sítio, Réfega, entre os termos da povoação de Uva e de Vila Chã da Ribeira, concelho de Vimioso, sem habitações, com terrenos de cultivo, lameiros e algum arvoredo, com predominância do freixo. Não será de aceitar, de modo nenhum, a explicação de J. P.Machado, 1984, quanto à origem do topónimo Réfega, que o dá como proveniente de refega, com significado de “redemoinho” ou pé-de-vento”; é de recusar, na mesma, qualquer ligação a refrega, com sentido de “briga” ou “confronto”. A. de Almeida Fernandes (1999) já refutou devidamente tais tentativas de explicação deste topónimo, referindo que nunca «o fenómeno meteorológico» apontado para o primeiro caso, poderia “causar e manter” esse topónimo; pior, ainda, quanto a refrega, pois que estranho “motim” ou “confronto” daria nome de Réfega? E entre quem, como e quando? Outra tentativa de encontrar resposta para este nome foi abonada pelo abade Pedro Augusto Ferreira, citado pelo insigne erudito Abade de Baçal (vol. X, 148). Defendendeu, a propósito, que o topónimo Réfega é referido nas Inquirições de 1258 por Refega e Arrefega, que poderia vir do espanhol Revéga, significando uma “veiga ancha, grande”, ou, de «Revéga, o mesmo que reviéga, «revelha, muito velha». A dificuldade continua a manter-se, pois tal formação daria uma palavra com acento grave, e, Réfega é um topónimo esdrúxulo. Por outro lado, em toda a grande região de Aliste (Espanha), com visíveis afinidades com a nossa região, nenhum nome encontrei parecido com Réfega ou Refega. A. de Almeida Fernandes (1999) sugeria, por sua conta, que a etimologia de Réfega poderá vir do latim reficio, que deu refica, no sentido de «arroteia, terra nova para o cultivo». É mais uma hipótese de trabalho. Significam todas estas propostas enunciadas que, até agora, ainda não há respostas convincentes que permitam sossegar-nos quanto ao topónimo Réfega, pois até os entendidos, e de um modo geral os forasteiros, pronunciam refega por Réfega (palavra esdrúxula). Os mirandeses, por seu lado, quando se querem referir a Réfega, perto de Miranda, dizem habitualmente quinta de Réfica. |
A Aldeia Réfega 


